15 filmes franceses para nunca esquecer

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Fiz uma seleção de 15 filmes franceses maravilhosos, que merecem ser vistos e uma vez assistidos, nunca serão esquecidos, pode acreditar!

Preferi usar o nome dos filmes como foram traduzidos para o português, mas coloco também seu título original, que é a forma mais bela e que faz mais sentido.

1. Os Incompreendidos (1959) – Les quatre cents coups

Essa maravilhosa obra prima de Truffaut é, na minha opinião, a imperdível da Nouvelle Vague. Um clássico consagrado pelos quatro cantos do mundo, é tocante, lindo e intenso. Antoine Doinel (interpretado por Jean-Pierre Léaud) nos relembra, de forma poética, sobre o abandono familiar e as consequências que isso gera na vida de uma criança. Assistam sempre que puderem!

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2. A Igualdade é Branca (1994) – Trois Couleurs: Blanc

Eu poderia ter inserido aqui toda a trilogia das cores, mas preferi escolher aquele mais inesquecível. Esse é o segundo filme da trilogia, muito conhecido e comentado no mundo todo. Apesar de ser uma coprodução franco-polonesa entra para a lista com louvor. Essa obra consegue misturar as questões políticas e estéticas de forma magistral, ao falar sobre casamentos como instituições problemáticas e a imaturidade em lidar com as relações. Passaram-se mais de 20 anos desde o seu lançamento e ainda conseguimos trazer os seus elementos para a realidade atual. Pois não há nada que misture mais as relações entre política e sentimentos do que os divórcios, como tão profundamente bem retratou Kieslowski.

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3. Amor ou Consequência (2003) – Jeux d’Enfants

Uma caixinha em formato de carrossel é o fio condutor da relação entre Sophie e Julien. Ambos criam uma brincadeira de criança: em troca da caixa eles aceitam um desafio. Com o passar dos anos a brincadeira se torna cada vez mais séria, e os desafios mais perigosos e menos infantis. A amizade dá lugar ao amor. Uma improvável história de amor, irreverente e imprevisível, aí está a beleza do filme, e é claro na relação entre a sempre maravilhosa Marion Cotillard e Guillaume Canet, que foi além do cinema para a vida real.

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4. Os sonhadores (2003) – The Dreamers

Emblemático, mais um filme que veio para chocar, abalar as estruturas e fazer rebuliço. Bertolucci certamente nunca esteve por aqui a passeio e ainda bem! Nos deixou mais essa maravilhosa obra do cinema. Na realidade esse filme é uma coprodução francesa, italiana e britânica, mas não tinha como deixá-lo de fora dessa lista. Matthew (Michael Pitt) é um estudante americano que vai para Paris em 1968, lá conhece os irmão franceses Theo (Louis Garrel) e Isabelle (Eva Green), e se tornam inseparáveis. É lindo de ver a sensualidade de Isabelle, a audácia de Theo e a inocência de Matthew, juntos eles se completam e se descobrem. O filme é luxúria, prazer, música e sonhos, uma imensidão de sonhos jovens.

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5. A culpa é do Fidel (2006) – La Faute à Fidel!

O delicado filme de Julie Gavras não deixa de lado as questões políticas. Dessa vez protagonizado por uma criança, a pequena Anna, revoltada com a vida comunista que seus pais levam, se entristece com o fato de ter de deixar de lado as regalias do mundo capitalista para aprender a repartir. O filme é uma poesia para os olhos, leve e gostoso de ver, uma comédia que tenta transmitir os valores de compaixão e justiça, ainda que soe inocente demais para questões tão profundas retratadas. Consegue ser doce, como deve ser o mundo visto aos olhos de uma criança.

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6. Piaf: Um hino ao amor (2007) – La môme

Olivier Dahan acertou na direção, o filme é contundente e em sincronia com a biografia da cantora. Além disso, a fotografia é de encher os olhos, bem como tudo mais ao longo do filme, enquadramentos, maquiagem, músicas que saltam aos ouvidos, tudo é orquestrado perfeitamente para fazer jus ao drama vivido intensamente por Piaf. Sem falar em Marion Cotillard, aqui no papel impecável que a consagrou internacionalmente, como Édith Piaf. Emociona, do início ao fim.

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7. O Escafandro e a Borboleta (2007) – Le Scaphandre et le Papillon

Como não se deixar tocar pela história drástica de Jean-Dominic Bauby (impecável atuação de Mathieu Amalric)? O filme franco- estadunidense é um drama que reconta a história do editor da revista Elle francesa que após sofrer um derrame, fica somente com o movimento do olho esquerdo e deve reaprender a se comunicar, uma vez que ainda possui as capacidades intelectuais intactas. É angustiante por vezes, observar Dominic tentar se comunicar e não conseguir.  O filme alterna entre mostrar o ponto de vista dele e o ponto de vista dos outros personagens. Assim, Dominic dita sua autobiografia completa somente com o auxílio de seu olho esquerdo. Impressionante, além de ser como uma pintura na tela, o filme carrega de emoções as relações, e mostra que é possível se superar.

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8. Entre os muros da escola (2008) – Entre les Murs

O filme narra a rotina de um professor que dá aula em uma escola pública, onde a maioria dos alunos são imigrantes, com problemas que refletem em seus comportamentos. O professor, François (François Bégaudeau), passa os dias tentando contornar diversos conflitos em sala de aula ao mesmo tempo em que tenta ensinar a matéria aos alunos. Faz um retrato social muito claro das diferenças sociais e étnicas existentes em Paris e parece muito próximo da realidade das escolas no Brasil, fala de diferenças raciais e sociais, preconceitos e formas de lidar com as diferenças. Vale a reflexão do filme com seus múltiplos atores de personalidade forte e o professor que tenta ser respeitado a todo custo naquele ambiente.

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9. A bela Junie (2008) – La Belle Personne

A maravilhosa dupla Louis Garrel e Léa Seydoux protagonizam esse belo filme nem tão conhecido por aqui. Junie e Nemours se conhecem na escola. Ela, de uma beleza inocente e triste, acaba de se mudar, na metade do ano letivo, e logo se envolve com um menino da sua sala. Ele, professor de italiano, se apaixona de cara pela delicada Junie.  O diretor Christophe Honoré tem apreço por abordar a temática do romance entre jovens casais. É uma paixão intensa e arrebatadora, como só os amores da juventude são capazes, por vezes dramáticos. O filme é um delicioso passeio romântico pelas ruas de Paris.

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10. Intocáveis (2011) – Intouchables

Maravilhoso drama com toque de humor dos diretores Olivier Nakache e Eric Toledano. Imperdível e tocante. Conta a história de Phillippe (François Cluzet), tetraplégico rico que em busca de um ajudante/ enfermeiro, conhece Driss (Omar Sy), um imigrante pobre que procurava emprego. Ao longo do filme, a relação entre eles é retratada de forma esplêndida, uma amizade forte, ambos em sincronia e sem ser piegas. Driss é bruto, sem pudores, e não tenta agradar. É exatamente por isso que Philippe o admira, e através dele, começa a ver mais sentido na vida e mais alegria nos pequenos prazeres. O filme trata das desigualdades, é sobre opostos, e maneiras simples de lidar com situações difíceis.

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11. Ferrugem e Osso (2012) – De rouille et d’os

Eu não me canso de assistir esse filme, que na verdade é uma coprodução franco- belga. Lindo e profundo, onde mais uma vez Marion Cotillard surpreende. Para saber mais é só clicar na imagem e ler o texto que fiz sobre ele:

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12. Azul é a Cor mais quente (2013) – La Vie d’ Adèle

Filme polêmico e intenso. Baseado na HQ de Julie Maroh, o filme conta a história de amor entre Adèle (Adèle Exarchopoulos) e Emma (Léa Seydoux). Traz claramente a questão sobre um relacionamento entre duas mulheres, a forma como a sociedade lida com isso e o preconceito. Entretanto, é basicamente um filme de amor, sobre paixão e entrega, ciúmes e sexo, vai do romance do início de namoro até a tristeza presente em todo fim de relacionamentos, sem melodramas, o jeito francês de fazer romance. O diretor Abdellatif Kechiche veio para chocar com as cenas de sexo presentes no filme, mas acima de toda a polêmica existe a questão de filmar o tempo todo as protagonistas em sua forma mais desnuda, até nas cenas em que não há nudez, elas mastigam de boca aberta, os olhares são intensos, tudo cria esse ambiente de desejo entre ambas. Cru mas ainda assim, poético. 

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13. A Espuma dos Dias (2013)- L’écume des jours

Poderia ser somente uma história de amor e drama, mas o diretor Michel Gondry, incrementou a história com uma enorme pitada de surrealismo, já característico em diversos dos seus filmes. A realidade se mistura com situações inusitadas e fantasiosas, onde claro, tudo parece muito natural. O filme é repleto de metáforas visuais, e com cenas em que a sinestesia preenche os quadros. Lindo, cheio de cores, digno de sonhos e ainda com a delicada presença dos atores Audrey Tautou e Romain Duris como protagonistas desse romance.

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14. Dois dias, Uma noite (2014) – Deux jours, une nuit

Um dos melhores filmes dos irmãos Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, na minha opinião. Esse filme franco-belga é bastante atual, aborda a temática do desemprego com delicadeza. Mais uma brilhante atuação de Marion Cotillard, dessa vez no papel de Sandra, a protagonista instável emocionalmente, que tira forças do seu âmago para lutar por sua posição na fábrica em que trabalha(va). Com o apoio do marido, vai atrás de cada um dos funcionários que votaram a favor de sua saída em troca de uma bonificação, seu objetivo é convencer cada um deles a mudar o voto. Apesar do peso do desespero retratado que só quem já esteve na situação de desemprego pode saber, os diretores conseguem levar a história com leveza e de uma forma que não fica cansativa. Interessante e reflexivo, no mínimo.

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15. Samba (2014) – Samba

Sabe aquele filme que te faz acreditar que ainda pode existir compaixão no mundo? Samba é o mais atual da lista e certamente está na lista dos melhores filmes que lançaram esse ano por aqui. O segundo filme dessa seleção, dos brilhantes diretores Olivier Nakache e Eric Toledano. É aquele filme que parece uma tarde de sábado tranquila, como um vento que sopra no parque. Tem drama, comédia e romance e no fim a gente sabe que vai dar tudo certo. A trama retrata relações leves, mesmo abordando a temática densa dos imigrantes ilegais em Paris e sua luta cotidiana por melhores condições de vida. Omar Sy e Charlotte Gainsbourg ( aqui um pouco menos desequilibrada) possuem química, ele um ogro que provoca muitas risadas, ela frágil, magra e com tendência a desmoronar, se complementam e atuam em sincronia.

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Por favor, não me julguem porque não coloquei Amélie Poulain. Esse ninguém consegue esquecer, nem tentando.
A lista acabou, mas não posso deixar de citar dois filmes muito bons de François Ozon: Ricky e O amor em 5 tempos (5 x 2).  Espero que gostem.