8 perguntas para… Fabio Danesi

Satellite

Fabio Danesi escreve. Já escreveu livros, foi colaborador das revistas ”VIP” e ”Bravo” e é roteirista-chefe da série ”O Negócio”, exibida pela HBO.

Trabalha na produtora Mixer, ao lado de Michel Tikhomiroff, e juntos deram vida ao longa nacional  ”Confia em Mim”.

Saiba mais sobre ele nesse pequena entrevista:

 

1. Pesquisando sobre você, vi que você já dirigiu séries de TV, fez cursos de roteiro, escreveu livros, colaborou para revistas….
Poderia falar um pouco sobre sua formação?
Sou formado em Propaganda e Marketing. Tentei trabalhar na área. Fracassei. Tentei virar jornalista. Fracassei de novo. Daí escrevi um livro. Mais um fracasso. Então comecei a me dedicar a fracassar como roteirista.

2. Você sempre quis ser roteirista? Como surgiu esse interesse?
Sempre quis trabalhar com cinema, mas cresci numa época em que praticamente não existia cinema no Brasil. Então fui trabalhar com outras coisas. Em 2003, eu trabalhava como redator em uma revista de turismo. A revista estava falida. Fazia três meses que eu não recebia salário. Uma amiga me avisou que dois americanos estavam selecionando roteiristas iniciantes para participar de um workshop de roteiro no Rio de Janeiro. O workshop era com uma diretora e dois roteiristas bem sucedidos da TV americana. Mandei alguns textos na esperança de ser selecionado. Não fui. Um dia antes do workshop, me ligaram. Alguém desistira e abrira uma vaga. Fiz as malas e fui pro Rio. Depois do workshop, fui contratado pelos americanos. E desde então, não sei como, trabalho como roteirista.

3. Poderia explicar aos leitores como é, mais ou menos, a vida de um roteirista? Você tem algum tipo de rotina?
Meu dia a dia é como roteirista de TV. Fiz algumas séries, como ”Mothern” e ”O Negócio”. Tenho uma equipe. Primeiro a gente se encontra e debate o arco da temporada. Ficamos pelo menos duas semanas pensando no que vai acontecer com cada um dos personagens: como eles vão estar no começo da temporada, o que vai acontecer com eles, e como eles vão estar no final.
Depois a gente desenvolve as sinopses de cada um dos episódios. Daí a gente faz as escaletas, que são os episódios inteiramente descritos, mas sem diálogos. A gente fez tudo junto, na chamada sala de roteiro. Com as escaletas em mãos, a gente se separa. Aí vai cada um pra sua casa escrever os roteiros. Normalmente é assim.

4. Qual o melhor e o pior de ser roteirista?
A melhor coisa é trabalhar com uma coisa que eu gosto. A pior é a incerteza. Faço séries há dez anos, já concorri ao Emmy, já ganhei o APCA, e mesmo assim tenho medo de ficar sem emprego e nunca mais conseguir escrever uma série de novo.

5 .Você fez parte de projetos incríveis, como a série ”Mothern” e o sucesso teen ”Julie e os Fantasmas”.
Existe alguma diferença entre escrever roteiros de séries e roteiro para um longa, no caso do ”Confia em Mim”?
Escrever série é mais exaustivo. Você tem que escrever, em dez meses, 13 episódios de uma hora, ou 26 episódios de meia-hora.
Ou seja, o equivalente a sete longas. É muita coisa. É insanamente muita coisa.

6. ”Confia em Mim” foi seu primeiro longa. Como foi a experiência?
O Michel estava há anos desenvolvendo o filme com outros roteiristas, mas não estava satisfeito com o resultado. Faltando alguns meses para o início das filmagens, ele me chamou e perguntou se eu podia assumir o roteiro. Eu estava escrevendo Julie e os Fantasmas. Mesmo assim, aceitei. Resolvemos refazer a história usando a sala de roteiro. Passamos alguns meses nos encontrando, eu, o Michel e mais dois roteiristas. Criamos uma nova escaleta. Com essa escaleta, fui pra casa escrever. No começo, achei que não ia conseguir escrever uma única linha que prestasse. Mas depois me acalmei. E dezessete dias depois eu já tinha a primeira versão do roteiro.
Eu não podia demorar muito mais, porque a produção precisava das cenas escritas, e os atores precisavam ensaiar. 
Falei que escrever série é mais exaustivo? Retiro o que disse.

7. Na área da escrita, quem são seus maiores ídolos?
Steven Moffat, Samson Raphaelson e Winnie Holzman. Hozlman escreveu ”My So-Called Life”, que é uma das minhas séries prediletas. E Wicked, que é um dos melhores musicais já feitos. Samson Raphaelson era o roteirista do Lubitsch. Escreveu algumas das melhores comédias dos anos 30 e 40, e um dos melhores filmes do Hitchcock.
Já o Moffat não parece desse mundo. Escreve tão bem que não dá pra acreditar. Chega a ser humilhante para os outros roteiristas.

8. Após o sucesso de ”Confia em Mim”, mais são seus próximos projetos? Algum novo longa em vista?
Estou trabalhando na segunda temporada da série ”O Negócio”, para a HBO. Eu e o Michel temos uma ideia de longa. Vamos ver se vai pra frente. Espero que sim.

Editora-chefe do site e bacharel em Estudos de Mídia pela UFF, produz conteúdo para web desde 2012. Curiosa e apaixonada por cinema, escreve aqui em sua ''Coluna Clichê'' sobre os filmes que assiste no cinema e na TV.

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