BGS 2015 e a carência de eventos nerds

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Yudi anunciando o ganhador do PS4 do dia

O Brasil é carente de eventos. Isso pode soar exagerado em 2015 quando estamos entre a Copa do Mundo FIFA (de 2014) e as Olimpíadas no Rio de Janeiro (em 2016) e tantos outros eventos que ocorrem em consequência desses. Mas não é desse tipo de evento que me refiro.

No ano passado o grupo Omelete anunciou que faria a Comic Con Experience – houve, inclusive, rumores de que seria a versão brasileira da San Diego Comic Con, porém logo desmentido pelo grupo. O fato é que esse primeiro evento reuniu cerca de 100 mil pessoas do país inteiro em busca de conteúdo nerd.

Mas por quê eu estou falando da CCXP em um post sobre a BGS?

Simples, meu caros leitores. Em 2002, Marcelo Tavares – o criador da Brasil Game Show – fez seu primeiro “evento” de videogame, o chamado ‘Game Churrasco’ que contou com umas 30 pessoas, de lá pra cá o churrasco com amigos se transformou em uma feira que reuniu em média 250 mil pessoas e 180 expositores em 2014 e a previsão para 2016 é de aumentar ainda mais esses números.

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Quantidade de adultos acima dos 40 anos era considerável no evento

Mas minha pergunta continua: por quê? A resposta está na carência de eventos de natureza nerd, principalmente voltado para os gamers. Não é novidade para ninguém que há, pelo menos, duas gerações de adultos gamers – aqueles que jogaram Atari em sua infância/adolescência e aqueles que jogaram Super Nintendo na mesma fase (perdoe a minha metodologia de definição de faixa etária, OK?!). Estou incluído nessa segunda geração. Nós crescemos envolvidos com videogames no nosso dia a dia em uma sociedade que não via isso com bons olhos. Eventos para conhecer pessoas com interesses parecidos? A porta dos fundos do shopping local, lugar que reunia desde rockeiros renegados a jogadores de Magic.

O que mudou? Uma 3ª geração de gamers – que já nasceram jogando PlayStation – em uma sociedade em que ser gamer ou youtuber é sinônimo de “fama” e “dinheiro” – não preciso explicar as “ ” neh!? – e que ao mesmo tempo não tem grandes eventos onde se concentrar para extravasar sua nerdice. Espalhados pelo Brasil há cerca de 150 festivais de cinema por ano, os festivais de dança e teatro tem números parecidos. Agora me responda: quantos eventos de games ou quadrinhos – podemos até incluir os eventos de Anime nesse pacote – existem? Dos que existem, quantos são acessíveis ao grande público? Só para constar: o ingresso da CCXP 2015 custa R$ 199,98/dia.

Não é de se admirar que a BGS 2015, com ingressos no 1º lote a R$ 39,90, tenha lotado a Expo Center Norte quase todos os dias de evento. Minha experiência em 2 dias e meio de feira foi a de ser impossível aproveitar tudo que acontece. Para um nerd como eu, estar em um lugar em que há gameplays de jogos não lançados; palcos com youtubers e gamers famosos; centenas de videogames de última geração; uma área imensa com lojas vendendo produtos nerds em “promoção”; sem falar na área indie com desenvolvedores brasileiros (veja os vídeos do CM+ no youtube sobre isso) e a área com arcades antigos; a sensação é que isso tudo poderia acontecer umas 4 ou 5 vezes ao ano – ou durante 4 finais de semana seguidos – para eu ficar satisfeito;

Olha que nem citei os cosplayers incríveis que apareceram no evento (veja nosso Instagram). Fiquei sabendo que rolaria um concurso de cosplay, mas não consegui descobrir quando aconteceu ou quem foram os ganhadores. Como não sou muito fã de LOL, nem liguei muito pro Brasil Game Cup que rolou no evento, porém reconheço que o espaço destinado a esse torneio estava sempre cheio e pareceu ser bem interessante pra quem curte; com direito a narração ao vivo e um stande sempre lotado do time brasileiro paiN GAMING.

Reconheço que eu deveria ter feito uma cobertura jornalística mais adequada para o CM+ e isenta de tanta pessoalidade, assim como grandes portais fizeram, contudo, esses três dias de evento foram tão intensos em mim que só agora, uma semana depois, consegui racionalizar sobre o que vivi e transformar em texto (nem um pouco jornalístico, por sinal).

BGS 2015

Momento tietagem com Yudi. Quero meu PlayStation!

Um desejo e também um pedido: que surjam mais BGS e CCXP. O Brasil tem tudo o que precisa para bater de frente com os Estados Unidos e suas Comic Cons, que sejamos referência em eventos gamers, nerds, otakus etc.

Influenciador digital, consultor de Cinema, TV e Web, crítico de cinema, editor de vídeos e revisor de textos.

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