Mapa Para as Estrelas

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O filme acompanha a vida de uma famosa atriz de Hollywood, Julianne Moore faz a escandalosa e traumatizada Havana Segrand, em sua interminável busca por mais, melhores papéis, mais fama, a constante procura pela felicidade no “ter”. Agora loira, mais uma vez consegue dramatizar perfeitamente sua personagem, com sua vida de glamour, sua mansão, terapias, idas ao shopping, com sua constante psicose e remédios ingeridos.

Em paralelo aborda o desmoronar da família Weiss, uma “perfeita” família Hollywoodiana. Mia Wasikowska, a eterna Alice no País das Maravilhas, sempre agelical, dessa vez consegue provar seu talento como a dissimulada e perturbadora Agatha. Papel que merece destaque na carreira da atriz, mais uma vez contracenando com Moore, fazem uma dupla genial. Agatha é a erva daninha da família, afastada precocemente de seu lar, devido a possíveis transtornos psicóticos e para proteção do seu tão amado irmão Benjie (Evan Bird). Como era de se esperar, Agatha volta para aterrorizar a vida da família novamente.

Como um soco no estômago, o filme faz seus personagens chegarem ao extremo, é uma crítica clara a sociedade atual com o endeusamento dos astros de cinema e a busca pela perfeição exterior, que só tenta esconder as imperfeições de sua personalidade e seus desequilíbrios emocionais constantes.

O filme perverso, ácido e bem doido de David Cronenberg faz com que os nossos problemas pareçam insignificantes, abusando dos absurdos. O diretor é conhecido por abordar temáticas chocantes, mostra o sexo de forma bruta, carnal, mortes tão surpreendentes quanto densas, o que faz com que seus filmes sejam recheados de cenas viscerais, aquelas em que nos pegamos apertando os olhos na tentativa de evitar o inevitável. Mapa Para as estrelas pode provocar náuseas, e anseios de que certas cenas acabem logo. O drama do filme é bastante surreal, e acompanhado pelo seu modo de filmar faz parecer um suspense.

De toda forma, é pertinente a abordagem dessa temática mesmo que de forma chocante. A história é tão bizarra quanto perfeitamente cabível naquele universo. O filme explora bem a contradição: a monstruosidade de Agatha com o glamour da fama da sociedade retratada, além da crítica implícita à forma como as pessoas se relacionam, desprezando os sentimentos alheios, egoístas, tratando uns aos outros como se fossem superiores, para no fim acabarem em ruínas, mortos, loucos, sozinhos.

Certas cenas parecem infundadas, como se fossem somente para dar um destino a certos personagens, sem explicações claras, de antes ou depois, como a cena da mãe de Agatha pegando fogo na beira da piscina. Ela cometeu suicídio? Não se sabe. De toda forma, o filme funciona como num ciclo: segredos, fogo, loucura, fama, glamour, assassinato e incesto. Nada é como parece, a verdade está no que não se vê.

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