Festival de cinema do Rio

2008-11-12 23:30

Esse foi o artigo que escrevi para a revista da empresa Útil de ônibus publicado no mês de novembro de 2008

Um diretor conhecido pelos festivais e um estreante foram os principais ganhadores do Festival do Rio que, famoso para os cariocas amantes do cinema e por tantos do Brasil inteiro, acontece todo ano desde 1999 – quando o Rio Cine Festival, que existia desde 1984, e a Mostra Banco Nacional de Cinema, criado em 1988, fundiram-se – e orgulha-se de ser o mais bem sucedido festival de cinema da América Latina comemorando em 2008 o seu décimo aniversário.

                O recém-chegado Matheus Souza - estudante de cinema da PUC – Rio - venceu com o seu longa-metragem Apenas o fim através do Júri Popular, além de receber uma menção honrosa do Júri Oficial, enquanto o veterano de competições José Eduardo Belmonte, pelo filme Se nada mais der certo, conquistou o Júri Oficial do Festival do Rio na categoria Melhor longa-metragem de ficção. Matheus Nachetergaele recebeu o Troféu Redentor de melhor diretor em ficção por A Festa da menina morta, sua estréia na direção de longas.

A maratona de, aproximadamente, 350 filmes apresentados entre vinte e cinco de setembro e nove de outubro, nos cinemas espalhados pelo Rio de Janeiro, contou com longas, curtas, documentários de famosos de várias partes do mundo como: Francis Ford Coppola (Velha juventude); Woody Allen (Vicky Cristina Barcelona); Eric Rohmer (Les amours d’Astrée et de Céladon); Joel e Ethan Coen (Queime Depois de Ler); Charlie Kaufman, premiado roteirista que estréia na direção (Synecdoche, New York), entre muitos outros, além de outras tantas produções brasileiras na mostra “Première Brasil” com diretores estreantes e veteranos, dentre eles: Matheus Nachtergaele (A festa da menina morta); Selton Mello (Feliz Natal); Matheus Souza (Apenas o fim); Paulo Pons (Vingança).

O Festival sempre apresenta uma mostra destinada a homenagear um país - mostra Foco - e na décima edição o país homenageado é o Reino Unido (UK); filmes como o documentário “Homem equilibrista” de James Marsh que recebeu o Grande Prêmio do Júri em Sundance, “Happy-Go-Lucky” de Mike Leigh, com cinco indicações ao Oscar no currículo, são algumas das atrações da mostra.

Representada por 17 filmes, uma homenagem aos 100 anos da imigração japonesa no Brasil é o foco de uma das mostras do Festival, que revela três pontos da filmografia japonesa: o cinema nipônico contemporâneo, a obra de Yôji Yamada e de Masahiro Kobayashi. Apresentam-se, mais uma vez, a importância da cultura japonesa em nosso país e suas influências, que vão além das obras cinematográficas.

                A competição se deu apenas na mostra Première Brasil pelo Júri Oficial e Popular. O Júri Oficial composto por Camila Pitanga, Jorge Duran e Lita Stantic e presidido por Wieland Speck escolheu da seguinte forma: melhor longa-metragem de ficção: Se nada mais der certo, de José Eduardo Belmonte; longa-metragem documentário: Estrada real da cachaça, de Pedro Urano; direção ficção: Matheus Nachtergaele (A festa da menina morta); direção de documentário: Helena Solberg (Palavra (En)cantada); melhor ator: Daniel de Oliveira (A festa da menina morta); atriz: Caroline Abras (Se nada mais der certo); melhor curta de ficção: Blackout , de Daniel Rezende; curta documentário: 69 – Praça da Luz, de Carolina Markowicz, Joana Galvão. Há ainda o Prêmio especial do júri dedicado a Jards Macalé – Um morcego na porta principal, de Marco Abujamra, co-direção de João Pimentel.

                Os eleitos pelo voto popular foram: melhor longa ficção: Apenas o Fim, de Matheus Souza; longa documentário: Loki - Arnaldo Baptista, de Paulo Henrique Fontenelle e melhor Curta – Urubus têm asas, de André Rangel e Marcos Negrão.

                Além desses, foi escolhido o melhor filme da Mostra Geração: Somos todos diferentes (Taare Zameen Par), de Aamin Khan – Júri Popular e o Prêmio FIPRESCI da Federação Internacional da Imprensa: A Mulher Sem Cabeça (Mujer sin Cabeza), de Lucrecia Martel.

Gabriel G. Pacheco

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