Marchinhas de Carnaval
2009-02-09 22:24
“Taí
Eu fiz tudo pra você gostar de mim
Ó, meu bem
Não faz assim comigo, não
Você tem
Você tem
Que me dar seu coração”
Joubert de Carvalho – 1930
Quem ao ouvir alguém cantando “Mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar...” ou então a própria Pra Você Gostar de Mim não se lembra imediatamente de carnaval? Essa e tantas outras marchinhas marcaram toda uma geração e até hoje fazem sucesso quando cantadas durante a maior festa do Brasil.
Os primeiros blocos carnavalescos começaram a aparecer no final do século XIX. As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros, desfilavam pelas ruas das cidades... Uma verdadeira festa de rua! No início do século XX as marchinhas já dominavam os salões de bailes durante o feriado, popularizando de vez a mistura de um ritmo militar com a melodia simples unida a um forte apelo popular das letras irônicas, sensuais e engraçadas que chamamos de marcha de carnaval.
Com letras – atuais até hoje - as marchinhas falavam do dia a dia do carioca, temas políticos, usando e abusando da ambigüidade que faziam uma questão séria se tornar divertida e motivo de risadas. Como podemos ver na marchinha “Daqui não saio” de Paquito e Romeu Gentil de 1950:
“Daqui não saio / Daqui ninguém me tira. (bis)
Onde é que eu vou morar / O senhor tem paciência de esperar
Ainda mais com quatro filhos / Aonde é que vou parar (bis)”
Ou em “Cabeleira do Zezé”, já em 1964, escrita por João Roberto Kelly e Roberto Faissal:
“Olha a cabeleira do Zezé / será que ele é... / será que ele é...”
O auge das criações e da popularização do estilo musical foi nas décadas de 30 a 50 inflamadas pelo sucesso do rádio e do disco de vinil. Cantores famosos da época gravavam marchinhas e venciam muitos carnavais com elas; Dalva de Oliveira, Sílvio Caldas, Mário Reis eram alguns dos intérpretes de grandes criadores como Noel Rosa Braguinha, Lamartine Babo e Ary Barroso.
Nessas três décadas de alta produtividade foram feitas canções inesquecíveis, porém a época de ouro das marchinhas estava chegando ao fim: a partir da década de 60 o samba-enredo começou a tomar o lugar das marchas no carnaval como símbolo carioca e as escolas de samba ditavam as os sucessos da temporada. Alguns compositores como Chico Buarque, se arriscaram a escrever as suas marchinhas, porém nada comparado à chuva de composições feitas nas décadas passadas.
Em 1970 foi gravada a marcha “Bandeira Branca” de Max Nunes e Laércio Alves, o último sucesso do gênero já superado pelo samba-enredo. Uma composição romântica, de melodia e versos tristes, tornou-se paradoxalmente o último clássico do repertório carnavalesco: “Bandeira branca, amor / não posso mais / pela saudade que me invade / eu peço paz...”
Mas não precisamos chorar a morte da marchinha, porque, ela permanece viva, tanto na memória das pessoas quanto nas ruas do Rio de Janeiro, na época dessa festa que pára a cidade e traz alegria e diversão em contraste com a seriedade e formalidade do trabalho cotidiano.
Gabriel Gallindo
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