O Amor é Estranho

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O filme Love Is Strange, que teve a tradução literal no seu título em português, trata do amor puro e simples, e na realidade sem as estranhezas que podemos esperar através do título. O amor retratado é sublime em todas as suas formas e por aqueles que são próximos, a julgar pela história do filme o amor parece até bem mais comum e intenso do que estranho.

O diretor Ira Sachs consegue explorar a temática LGBT no cinema de forma bem inusitada por tratar de um casal gay de idosos. Ben (John Lithgow) e George (Alfred Molina) estão juntos há mais de 30 anos e decidem oficializar a relação com uma cerimônia íntima e bela.

Tudo parece caminhar na mais tranquila paz, quando George perde o seu emprego como professor de música em uma escola católica, justamente por ter se casado com uma pessoa do mesmo sexo. Ambos decidem vender o apartamento que compartilharam suas vidas por tantos anos e por um tempo curto pedem para ficar na casa de seus parentes mais próximos, até que as coisas voltem aos eixos. Dessa forma, a solução encontrada é que cada um vá para uma casa diferente, onde começa a difícil rotina da separação forçada dos dois.

O filme aborda questões muito atuais, desde a mais evidente, o casamento gay, e as instituições com seu preconceito tão antigo e ainda tão presente, e no meio de tudo isso, a crise financeira que assola o mundo todo, até as relações familiares, com seus temperamentos, dissabores e desavenças, assim como com o cuidado e o carinho que une os membros de uma família.

A situação impensável de um casal que está há tanto tempo vivendo junto e se vê forçado a se separar e ainda por cima dependendo da boa vontade de amigos e parentes não é algo que seja minimamente agradável. Quanto mais velhos, mais cheios de manias e necessitados do próprio espaço. É uma ironia do destino. Lithgow e Molina conseguem de tal forma transmitir o desconforto e a tristeza de toda a situação, que chegamos a nos colocar em seus lugares, pensando qual seria a melhor atitude em um caso como esse. A dificuldade no convívio com os outros fica nítida na fala de Ben: “Quando vivemos com as pessoas, conhecemos elas melhor do que queríamos.”.

Ainda que essa seja uma história dramática por essência, ela é abordada com um toque de comicidade. A trilha sonora do filme acompanha a temática, as aulas particulares de piano que Ben dá se mesclam com a música clássica explorada em diversas cenas e lhe transmite uma atmosfera doce.

Ao longo do filme fica clara a relação sólida e bonita entre os dois, criada pelos anos de convívio e provações. É admirável a forma como O Amor é Estranho consegue mostrar os valores tradicionais de uma família e de uma relação amorosa entre dois homens. Sem forçar o moralismo, o filme é um manifesto de amor e de tolerância para aqueles que ainda insistem em manter o pensamento preconceituoso e atrelar a promiscuidade aos relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo.

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