Truque de Mestre

Truque-de-Mestre

Alguns filmes são feitos para pensar, outros pra impressionar e alguns para enganar o público: uma armadilha, que o roteirista se esforça muito em montar, pra que o espectador nunca saiba o que vai acontecer nas cenas seguintes.

Truque de Mestre é uma armadilha perfeita. Com roteiro e atuações precisas, durante os 116 minutos de filme, o espectador acompanha quatro ilusionistas americanos – Daniel Atlas (Jesse Eisenberg de A Rede Social), Henley (Isla Fisher – Quatro Amigas e um Casamento), Jack (Dave Franco – Meu Namorado é um Zumbi) e Merritt (Woody Harrelson, o Haymitch de Jogos Vorazes). Cada um é especializado em um tipo de mágica. Eles são chamados – por alguém desconhecido, que só descobrimos no final do filme – a montar uma equipe.

O primeiro ato dessa equipe é roubar um banco francês e distribuir o dinheiro na platéia. Após esse grande truque, o FBI e da Intepol começam a segui-los tentando evitar outros crimes – Mark Rufollo (o Hulk de Vingadores) é o agente do FBI encarregado do caso. Morgan Freeman faz o papel de um mágico que desmascara outros mágicos (tipo o que o Mister M fazia aqui no Brasil) e está maravilhoso como sempre, com sutilezas na voz e nas expressões, demonstra toda arrogância característica de um “show man”.

O diretor Louis Leterrier – acostumado a dirigir filmes de ação como Carga Explosiva (1 e 2), Fúria de Titãs (1 e 2), Cão de Briga e O Incrível Hulk (2008) – consegue manter o ritmo frenético durante todo o filme, mesmo tendo apenas um trecho expressivo com cenas de luta e perseguição. A história se desenrola de maneira rápida e empolgante não dando tempo nem do espectador questionar a coerência dos fatos.

Destaque para a atuação do Woody Harrelson; seu papel de cretino falastrão é comum entre seus personagens e carrega boa parte do humor do filme. A linda Mélanie Laurent, que interpreta a agente novata da Interpol, usa todo seu charme francês ao falar um inglês carregado de sotaque e olhares profundos em cenas que nem exigiriam muito disso. Lamento o fato de poucas pessoas conseguirem assistir a versão legendada para entender o que estou falando.

O filme inteiro funciona como um truque de mágica: brincando com o público, desviando a atenção do ponto principal, avisando diversas vezes que está desviando a atenção – a frase “Aproxime-se, porque quanto mais você pensa que vê, mais fácil será enganá-lo” (e frases semelhantes) é repetida diversas vezes – o personagem de Morgan Freeman funciona como explicador dos truques, sem o qual o espectador nunca entenderia como as coisas aconteceram. Com um final surpreendente, finaliza a ilusão deixando margens para suposições e uma certeza de ter assistido um belo show.

Cotação: Bom – 4 estrelas.

Ficha Técnica:

Diretor: Louis Leterrier

Atores e atrizes:
Jesse Eisenberg
Personagem: J. Daniel Atlas
Mark Ruffalo
Personagem: Dylan Rhodes
Woody Harrelson
Personagem: Merritt McKinney
Isla Fisher
Personagem: Henley
Dave Franco
Personagem: Jack Wilder
Mélanie Laurent
Personagem: Alma Dray
Morgan Freeman
Personagem: Thaddeus Bradley
Michael Caine
Personagem: Arthur Tressler

Influenciador digital, consultor de Cinema, TV e Web, crítico de cinema, editor de vídeos e revisor de textos.

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