Crítica: ”Os Desajustados”

Uma peça grandiosa num espaço pequeno. Essa pode ser a definição de ”Os Desajustados”, espetáculo escrito por Luciana Pessanha e baseado num ensaio fotográfico de Bruce Davidson com Marilyn Monroe (Tainá Müller).

A trama começa num jantar que reuniu a atriz francesa Simone Signoret (Cristina Amadeo), o dramaturgo Arthur Miller (Isio Ghelman), marido de Marilyn, e o cantor Yves Montand (Felipe Rocha). Bruce foi convidado para registrar o encontro, o que deixa Arthur incomodado.
Marilyn quer provar que é uma mulher normal, que cozinha e recebe amigos para jantar. Já Arthur se sente pressionado a terminar “Os Desajustados” – filme ambicioso, roteirizado por ele para realizar o sonho de Marilyn, que não aguenta mais ser a menina boba e quer se firmar como atriz dramática. 

Com a chegada de Simone e Yves, tudo muda: ela, ganhadora de um Oscar por “Room at the top”; ele, cantor de sucesso, comunista e que não resiste ao charme da loira mais famosa do cinema. O casal já havia trabalhado com Arthur e se davam muito bem. Enquanto bebem vinho no apartamento, cria-se um embate entre as mulheres, a mais famosa do mundo e a francesa que chegou no topo das colinas de Hollywood. Já os homens ficam numa disputa delicada por poder de forma sutil, que só chega ao ápice nos minutos finais.

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A peça investiga as fronteiras entre o teatro e a fotografia, o público e o privado, o velho e o novo. Marilyn sofre e chora por amor, ao contrário da forte Simone, seu extremo oposto – ou quase.
O cenário é simples e bonito. Os quatro estão muito bem em cena – o grupo está unido, forte, afiado e mostra ao público que grandes histórias ultrapassam a barreira do tempo e do espaço. O teatro, de apenas 63 lugares, é deles. Só deles. Um pequeno furação de arte, medo e amor.

 

Cotação: Muito bom

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