7 perguntas para… Giulianna Campos

Jornalista e natural da cidade de Campinas, Giulianna Campos é editora da revista ”QUEM”, um dos veículos de maior circulação no Brasil. Ela trabalha na revista desde 2010, onde escreve sobre celebridades e cobre os eventos mais badalados do Brasil.
Nessa entrevista, Giu fala sobre sua carreira e dá dicas para quem quer seguir a profissão.

Confira:

Primeiramente, obrigada por tirar um tempinho para responder essa entrevista. Gostaria de começar perguntando como surgiu seu interesse pelo jornalismo.
Desde criança meu sonho era ser apresentadora. Eu colocava uma câmera JVS (ou JVC, não lembro) em cima da televisão e me filmava apresentando, com aquelas fichas na mão (risos). Aí, prestei faculdade de Rádio e TV na Faap, fiz 8 meses, mas não gostei. Foi quando decidi fazer jornalismo, porque seria o curso que me levaria à TV. Queria trabalhar com os famosos! 

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E como você chegou na ”QUEM”? Sempre quis trabalhar em revista?
Na época do TCC, fiz uma revista impressa feminina com a Juliana Paes na capa. Mal sabe ela (porque peguei as fotos do Google…). E minha orientadora, Bia Abramo, convidou a diretora de redação da Quem (na época), Paula Mageste, para avaliar meu trabalho. Ela adorou e convidou a mim e ao meu grupo para conhecer a redação da revista por uma semana. No segundo dia, já estava indo dar plantão no hospital Albert Einstein, onde a Hebe estava internada com câncer. Eu mandava informações para os repórteres de ”Quem” de lá. Quando a Hebe teve alta, eu quem consegui o destaque na home da Globo.com e acabei sendo contratada. Isso foi em 2010. 

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Pode contar pra gente como funciona o dia a dia na redação de uma revista?
O dia dia na redação de QUEM é bem corrido. Não paramos um minuto, até porque somos um portal de entretenimento (o maior do Brasil), então trabalhamos 24/7. Sempre tem alguém subindo conteúdo no site, ele nunca está sozinho (risos). Há uns dois meses minha rotina mudou um pouco porque lançamos o canal de beleza acessível, do qual eu cuido sozinha. Ou seja, todos os dias, preciso escrever uma matéria de beleza que tenha conteúdo, produtos e testes. Eu costumo testar todos os produtos de casa e depois escrever na redação. Os vídeos com tutoriais, eu gravo em casa ou em algum salão com o profissional convidado. Para otimizar o tempo, gravo uns três vídeos por vez!

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O perfil da revista no Instagram é super bem humorado, cheio de gírias e com conteúdo que une TV, moda, beleza e cultura pop. Como é feita a curadoria de conteúdo que vai ao ar nas redes e também no site? O nosso Instagram realmente se destaca muito dos demais veículos porque temos essa pegada bem humorada. Temos o Vand, que é nosso social media e ele é muito rápido nas tiradas e engraçado demais. Primeiramente, nós vemos a qualidade da imagem/vídeo. No nosso Instagram só entra foto bonita. Claro, que se for um flagra superimportante, e a qualidade da imagem não está boa, a gente dá, mas é exceção. Nós priorizamos postar informações importantes, fotos bonitas e exclusivas, e ensaios de capa. Tudo que está no Instagram da revista está também no site.


Giu em Salvador no último fim de semana, no show de Luan Santana (foto de arquivo pessoal)

Hoje em dia as celebridades não são mais só aquelas que aparecem na novela das 9. Você acha que o jornalismo conseguiu se adaptar bem a esse novo mundo de blogueiras(os) e influenciadores digitais que ditam moda e comportamento?
Eu acredito que no início, não enxergávamos os influenciadores como celebridades. Mas eles foram ganhando tanta notoriedade, que hoje não podemos negar que a força de um blogueiro/youtuber, às vezes é superior a de uma estrela da novela das 9h da TV Globo. Sendo assim, os influenciadores fazem parte, sim, da nossa lista de famosos que interessam a QUEM e ao público. Damos bastante espaço a eles e vamos dar cada vez mais. 

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Você sempre mostra os bastidores da revista no seu Instagram pessoal. Conte como é a produção de uma capa de revista, aquele momento correria-totalmente-sem-glamour que ninguém vê…
A produção de uma capa é bastante trabalhosa, porque antes de chegar ao estúdio para se clicada, a gente tem que trabalhar na ideia do ensaio e contratar os profissionais certos. Então, o primeiro passo é ajustar com a assessoria de imprensa a data do ensaio e checar se eles fazem questão de uma equipe específica, como fotógrafo, maquiador, stylist. Então, pensamos num moodboard e apresentamos ao famoso para que ele concorde. Estando tudo certo, o stylist vai para a rua produzir as peças. Também temos que pensar no catering, ou seja, nas comidinhas que vamos servir no dia. Tudo pronto, chegamos no estúdio, locação, batemos o mood com o fotógrafo e clicamos tudo lá. Geralmente, a entrevista acontece durante o processo de make e cabelo, pra otimizar o tempo. Enquanto estamos fotografando, eu sempre analiso as fotos no monitor pra saber se está ficando bacana o resultado e vou orientando/dirigindo a equipe. Todo esse processo de capa leva, geralmente, umas 5 horas. 

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Pra fechar: que dicas você daria para um estudante de jornalismo? O que você acha indispensável pra quem quer seguir a profissão?
A coisa mais importante é ter amor e dom. Porque o jornalista vai trabalhar durante fins de semana, feriados, madrugadas… é uma profissão que não tem rotina, e muitas vezes, não tem horários. Não existe esse negócio de bater o ponto às 8h e sair às 17h. Além disso, tem que estar sempre ligado ao que está acontecendo ao redor, porque assim virão as ideias de pautas, furos. O dom é importantíssimo, eu acredito que o jornalista tem que ter esse feeling da reportagem, tem que ter “cara de pau” pra fazer uma pergunta polêmica e sensibilidade para não magoar o entrevistado. Conheço uma jornalista que era extremamente tímida e suava frio todas as vezes em que precisava entrevistar alguém. Tanto é, que depois de alguns anos, ela resolveu mudar de profissão porque entendeu que não tinha o dom pra aquilo! Ah, e pensando agora, eu acho que a pessoa precisa ser persistente também. Fazer uma carreira no jornalismo é difícil e não é tão óbvia. Conhecer o maior número de pessoas possível, o famoso networking, é primordial e vale mais do que um bom CV. 

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