Entre facas e segredos

Filmes de mistério sempre chamam atenção do público, tendo em vista a última versão de ‘’Assassinato no Expresso do Oriente’’ ao engraçadinho ‘’Mistério no Mediterrâneo’’, sucesso na Netflix no ano passado. 
Entre Facas e Segredos, embora não tenha sido baseado em nenhum livro em especial, é inspirado nas tramas da autora Agatha Christie, a Dama do Mistério. A direção fica por conta de Rian Johnson (Star Wars: Os Último Jedi, Looper).

A história mostra um famoso e bilionário escritor de livros de mistério, Harlan Thrombey (Christopher Plummer, ótimo como sempre), que, próximo de anunciar quem  irá herdar a grana, reúne seus parentes para sua festa de 85 anos. Harlan não era fácil, é claro, e deixava que toda a família vivesse ao seu redor usufruindo de todo o conforto de sua casa. No dia seguinte, ele é encontrado morto. Logo depois, a família começa a brigar pelo dinheiro enquanto tenta descobrir quem matou o velho.

Todos ali tinham motivos para querer Harlan morto: Chris Evans (o Capitão América) na pele de Hugh, o cínico e mimado neto mais velho; Jamie Lee Curtis (Halloween) como Linda, a filha mais velha do finado e que nutria certa competição com o pai; Michael Shannon (Homem de Aço) interpretando Walter, o filho mais novo e responsável por tocar a editora de livros de mistério; Don Johnson (Watchmen), o chatíssimo marido de Linda;  e Toni Collete (Hereditário) como Joni, nora de Harlan e mãe de uma artista liberal. Junto deles está Marta (Ana de Armas), a cuidadora de Harlan, tida como todos como ‘’da família’’.

Para investigar o crime, entra em cena o famoso detetive Benoit Blanc (Daniel Craig), que faz uma clara reverência ao detetive Hercule Poirot. Seu ponto de partida na investigação é a pergunta: “Quem se beneficia?”. Embora pareça bobo no início, Blanc tem métodos diferenciados para descobrir o que precisa sobre o assassinato – provavelmente o melhor papel da carreira do britânico Craig.

Unindo bons personagens, roteiro inteligente e reviravoltas de tirar o fôlego, o diretor usa clichês do gênero para e mudar completamente a perspectiva de quem assiste, sem que isso pareça estranho. O filme tem timing perfeito e impressiona, já que a direção e o roteiro ficaram são de Rian Johnson (”Star Wars”, ”A ponta de um crime”). O filme concorre ao Oscar de ”Melhor roteiro original” em 2020.

Cotação: Muito bom