6 perguntas para… Marcelo Janot

divulgação / Mel Albuquerque

Marcelo Janot é crítico de cinema do jornal O Globo desde 2006 e editor site Criticos.com.br.
Publicou no ano passado o livro “Revisão Crítica” (Autografia). Nos últimos anos, vem ministrando no Rio de Janeiro diversos cursos dedicados a Woody Allen, Stanley Kubrick, trilhas sonoras, entre outros. DOSSIÊ TARANTINO é seu curso mais recente, a ser ministrado em janeiro.


Marcelo foi repórter e crítico de cinema do Jornal do Brasil por seis anos e  integrou o júri da crítica em diversos festivais internacionais. Também foi crítico e comentarista do canal Telecine Cult, colunista do programa Revista do Cinema Brasileiro, na TV Brasil e colunista de cinema da Rádio Sul America Paradiso. 

Confira essa entrevista com o crítico de cinema, que falou sobre sua carreira e sobre seu curso sobre o cineasta Quentin Tarantino:

 

Olá Marcelo! Gostaria de começar perguntando como começou seu interesse pelo jornalismo e seu amor pelo cinema.
O amor pelo cinema vem desde que eu assisti a “Branca de Neve e os 7 Anões” em uma projeção dentro da escola montessoriana em que estudava quando criança. O interesse pelo jornalismo vem só um

pouquinho mais tarde, pois comecei a ler jornal bem precocemente, e como fui ótimo aluno em português e redação, a vocação já estava escancarada, embora ainda tenha feito um teste vocacional na escola só
pra confirmar. Mas era isso mesmo, pra tristeza do meu avô que queria que eu me tornasse engenheiro eletrônico…

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Você trabalhou no ”Jornal do Brasil” e no ”O Globo”. Pode compartilhar um pouco como funciona a rotina de um crítico de cinema na redação de um jornal?
Na verdade trabalhei em redação como crítico na Tribuna da Imprensa, por 3 anos, e no Jornal do Brasil, por 5 anos. Embora eu seja um dos Bonequinhos do Globo há quase 13 anos (desde 2006), nunca fui funcionário do jornal, e nesse período só fui à redação duas vezes. Mas no JB e na Tribuna era divertido, embora bastante corrido, porque eu também acumulava outras funções, e essa palavrinha maligna
chamada “fechamento” muitas vezes era um tormento, especialmente quando era obrigado a ver um filme quarta de manhã e entregar o texto duas horas depois.

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A figura do crítico de cinema, antigamente, era vista por muitos como o cara mal humorado que falava mal de tudo, nunca estava satisfeito e que no fundo era um cineasta frustrado. Com o Youtube e o boom dos blogs, muita coisa mudou. Como você vê a profissão hoje em dia? E no futuro?
Mal humorados muitos continuam sendo, mesmo em blogs, mas isso se deve sobretudo ao excesso de filmes ruins! Se antes eram lançados cerca de 5 ou 6 filmes por semana no máximo, agora a média passa de 10, e tem semana que estreiam 15 filmes, ou seja, a chance de eu encarar a missão de ver um filme ruim quase triplicou!  A profissão está muito mais democrática, a internet fez surgir uma massa de gente que escreve crítica, mesmo que por hobby, e isso é bom. O problema é que também ficou mais difícil para o leitor, bombardeado por tanta informação, distinguir quem é crítico de verdade. O futuro? Não tenho ideia, só torço para que a profissão volte a ser valorizada pelo público e pelos veículos de comunicação.

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Você é professor e já deu aulas focadas em Woody Allen, Stanley Kubrick e um curso específico sobre trilhas sonoras. O que te motivou a criar aulas sobre o cineasta Quentin Tarantino? O que os alunos e fãs do diretor podem esperar desse curso? Saiba mais aqui
Percebi que muita gente tinha implicância e preconceito com Tarantino por não conseguir enxergar seus filmes de maneira apropriada. Reclamavam que havia violência gratuita, que ele era um mero copiador, entre outras bobagens. No curso, em três aulas, desfaço esses mitos equivocados e mostro ao aluno, através da análise minuciosa e em conjunto de cenas de seus filmes, como por trás do
cineasta pop existe um artesão inventivo e coerente, que não deve nada aos maiores autores do cinema mundial.

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Da nova leva de diretores (Damien Chazelle, Jordan Peele e outros), qual você acha que devemos
acompanhar de perto o trabalho? 
Ainda não vi “Se a Rua Beale Falasse”, mas “Moonlight” nos obriga a

prestar atenção em Barry Jenkins, assim como em Jordan Peele, David Lowery, Alice Rohrwacher, Lee Chang-Dong, Gabriela Amaral Almeida e tantos outros espalhados pelo mundo.

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Para fechar: qual(is) filme(s) mudou sua vida e você acha que todo mundo deveria assistir?
Essas perguntas definitivas sempre me ferram… Mas foi quando vi “Crepúsculo dos Deuses” na Cinemateca do MAM que percebi, através da genialidade de Billy Wilder, como era possível conjugar arte,
entretenimento e amor pelo cinema. Saí da sessão certo de que gostaria de, através das críticas (e agora também dos cursos), retribuir o que Wilder me proporcionou levando ao público minha paixão pelo cinema.