Crítica: “Meu Deus!”

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A peça, escrita pela autora Anat Gov, falecida em 2012, é muito verdadeira, rápida e espirituosa. Na trama, D (Dan Stulbach) é o Todo Poderoso, que está angustiado com o rumo que a Humanidade está tomando e decide se matar. Ele vai até a casa da psicóloga Ana (Irene Ravache), que fica assustada com aquele homem sentado em seu divã falando que sabe tudo sobre sua vida. D, que tem exatamente 5.774 anos de idade, está cansado, depressivo e sem esperança alguma.

Durante a sessão, Ana revela que acha impossível que D seja Deus, já que ela é ateia. Confusa, ela acha que morreu – ou pior, que está participando de uma pegadinha na TV, com direito a câmera escondida e tudo. Os dois começam a conversar e falam sobre depressão, misericórdia, piedade, amor, fraqueza, raiva e fé. Adão e Eva e a criação do homem, segundo D, ”um de seus maiores arrependimentos”, também são analisados. Com frases como ”Não dá para analisar alguém que não teve mãe; em quem vamos colocar a culpa?” e ”A criação do mundo foi como um surto de inspiração”, a peça pode ser interpretada como uma comédia filosófica, levando em consideração o tema universal que a envolve.

Com participação de Pedro Carvalho (do excelente ”Hoje eu quero voltar sozinho”), que interpreta Paulo, o filho autista de Ana, a peça tem a direção de Elias Andreato e cenário, prático e lindo, elaborado por Antonio Ferreira Junior. A tradução da peça ficou por conta de Eloísa Canton. Dan e Irene demonstram plena sintonia no palco, emocionando o público em diversos momentos. Após um bem sucedida temporada em São Paulo, a peça fica em cartaz em curta temporada no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, Rio de Janeiro.

 

 

Cotação: Muito bom

Editora-chefe do site e bacharel em Estudos de Mídia pela UFF, produz conteúdo para web desde 2012. Curiosa e apaixonada por cinema, escreve aqui em sua ''Coluna Clichê'' sobre os filmes que assiste no cinema e na TV. Também colabora com o blog ''CuteDrop''.

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